A INDÚSTRIA CULTURAL COMO ESPAÇO FORMATIVO ALTERNATIVO

Autores

  • Leonardo Henrique Brandão Monteiro

DOI:

https://doi.org/10.52641/cadcaj.v7i3.61

Palavras-chave:

Mercantilização da Educação, Educação Informal, Educação pela mídia

Resumo

Este trabalho tenta realizar uma reflexão bibliográfica acerca da indústria cultural, como instituição formativa alternativa à escola e que frequentemente tem seus elementos cultuais industrializados colonizando o espaço escolar. De modo que, o enfoque é nos modos como o que chamamos, hoje, de indústria cultural se articulou com elementos culturais prévios a ela, e como, hodiernamente se insinua sobre a formação escolar, de modo a, muitas vezes, a subordinar. O escrito segue uma estrutura que primeiro versa sobre os processos de enculturação na Europa (MARTIN-BARBERO, 1997), antes mesmo de uma indústria cultural emergir, para depois debater sobre como estes processos atingem as dimensões subjetivas dos seres humanos. Após estas duas seções, descreve-se a proliferação e a consolidação da Indústria Cultural em terras brasileiras, de modo a debater o que estes processos impuseram às dinâmicas sociais. A extensão gigantesca e a presença ubíqua das indústrias culturais e os modos como elas afetam as maneiras de se encarar o aprender contemporaneamente são trabalhadas na penúltima seção. Por fim, discute-se na seção que encerra o paper não apenas a invasão da indústria cultural sobre terrenos, outrora, reservados à escola, mas também a aparente subordinação desta instituição as lógicas da indústria cultural.

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Publicado

2022-11-23

Edição

Seção

Artigos Interdisciplinares